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Marcone Moreira, Banzeiro

O trabalho de Marcone Moreira em exibição apresenta uma série de elementos de um conjunto que está ausente. Forma um desenho invisível de algo que só se torna completo a partir da imaginação e da memória. Esse procedimento, comum a outros trabalhos seus, mescla duas vertentes centrais da tradição plástica brasileira: a atenção às relações formais, caras ao pensamento construtivo, e o saber artesanal, constatado no dia-a-dia da produção de objetos utilitários nos quatro cantos do país, que interessou artistas e críticos que interpretaram as especificidades da arte moderna no Brasil e exergaram confluências entre os dois caminhos. 

No Maria Antonia, o artista cria curvas ascendentes no espaço, que ganham corpo através do denso e rústico material em que são desenhadas, pelo corte da moto-serra e pelo adocicar do enxó, que lhe dá acabamento. Num processo de progressiva concretização, aquilo que era projeto, desenho mental, torna-se matéria, ganha um corpo específico. As linhas imaginárias, desenhadas na lembrança do artesão e arranjadas pelo artista, passam a ter textura, peso, cheiro, e a preencher um espaço real. Carregam, para além de seu aspecto de geometria ideal – uma curva no espaço – a memória de um fazer, um saber prático, o caráter daquilo de que são feitas. 

Seu material é a pequiá, madeira resistente à água por sua trama de fibras firmemente entrelaçadas. Sua forma é aquela conhecida pelo artesão de barcos: são cavernas, entalhadas do modo necessário a dar a curvatura correta da madeira para que as embarcações se estabilizem e deslizem na água. Agregadas e dispostas pelo artista no espaço de exposição, fazem agora o percurso inverso, que vai do material ao mental –evocação do movimento revolto das águas, o banzeiro, que agita o rio e pode até impedir a navegação. Mas nesse caminho, trazem consigo aquilo que não pode ser reduzido ao conceito, à ideia: a experiência compartilhada, síntese do Brasil. Banzeiro

O meu amor gosta da Frankenthaler.

Eu aprecio dizer: “da Frankenthaler”, parece quase chulo, mas para mim confere uma dignidade insondada. O amigo dele e eu temos essa mania de conferir às palavras e expressões significados diversos e por vezes invertidos, mas nunca exatamente elaborados. Pelo contrário, o caráter tosco nos diverte e nos assenhoreia de um mundo que só nós conhecemos. Não que se queira fazer o elogio da mediocridade ou da pequenez. Longe disso. Assim como num Murillo, o atraente não é a temática, abjeta por seu olhar superior na condescendência, mas as inflexões da forma, os contornos, o registro sutilmente ruidoso das cores que repõe o desequilíbrio expulso pela luminosidade difusa. A monstruosidade da situação de seus personagens é exposta nesses procedimentos, o que garante o conflito constante com o pietismo retrógrado que emana dos temas e do tratamento da luz. A potência implícita desses elementos é o que o salvaguarda do rebaixamento promovido pela sensibilidade de folhinha da sua recepção no século XX.

Mas Helen é quase o nome de minha mãe, como o amigo do meu amor é quase do meu ano, só que de 1974. Há uma pintura da Frankenthaler, “Types of Ambiguity”, que faz o que gostaríamos de poder realizar com esse jogo de significados. Frankenthaler subverte o branco tornando-o sujo, quando o vermelho – sempre associado à instabilidade da carne – ganha a força de algo limpo e reluzente. Aquilo que deveria ser fundo se projeta para frente. Costura uma argola entre todas as formas desconexas e instaura um desequilíbrio que parece ser resultado de tensões opostas: a mancha vermelha que quer deslocar-se mais à esquerda, o amarelo que deseja escapar para o alto, o branco ruidoso que se pronuncia perseguindo o vermelho e é laçado por um outro vermelho, de qualidade bastante diferente. O que ele promove no conjunto da tela esclarece algo dessas palavras de Longhi: “a linha, por mais débil que seja, distrai-nos da cor”. 

Judith Everdingen

O mendigo que vem e vai entre o seu ponto cardeal e o meu tem seios.
– Sim, seios e bochechas rosadas de mulher feliz escondem-se por detrás da barba cerrada, suja e emaranhada. A barba as cobre, não como se cobrisse vergonhas, mas camadas de cenas passadas, imagens entrecortadas, gestos para os quais hoje é difícil encontrar um enredo. As unhas compridas agora são pintadas da sujeira das ruas e dos restos que ele carinhosamente apanha e que compõem a casa que carrega consigo. Um leve inclinar de ancas evoca aquilo que hoje está submerso. Judith Everdingen
Alguma coisa da careca de meu pai.

É um começo vulgar para dizer de você. Dizer de você, também é uma expressão vulgar, é preciso reconhecer. A falta que faz o refinamento deixa as linhas tortas e as expressões batidas. Ontem eu falei da forja que faz o ferro endurecer. Com a forja, aumenta-se a superfície de impacto e pelas sucessivas agressões à matéria consegue-se que ela endureça, fique tesa e bela e certeira. Não há como escapar às metáforas. Elas que não dizem nada e tornam tudo uma corrida atrás do próprio rabo. Você vê, não consigo evitá-las. A linguagem me irrita.

Há noites sonho com você, com ladrõezinhos bizarros que me perseguem. Você e os seus me recebem e protegem. O menino quer olhar à janela, faço que deixo mas não. Espio e vejo o homem com o fuzil atirando para todos os lados. Mas não saem balas, só o medo me faz acordar. Judith Everdingen

Tulio Pinto - Diagonal

Era uma vez um espaço infinito, constante e homogêneo. Inventado pelos homens do Renascimento, tornado visível pela perspectiva geométrica, ele podia ser percorrido em todos os sentidos, em quatro coordenadas ortogonais, expandir-se para todos os lados, sem barreiras, medido, representado. Abstrato, neutro, igual em todo lugar, assim como o tempo, parecia ser perene, estar lá para sempre, à nossa disposição, aos nossos pés. Mas eis que, ao invés dos belos príncipes dos contos de fadas, surgem aqui e ali, em momentos de perigo da história da arte, artistas que fazem o papel do cozinheiro da verdadeira história da Bela Adormecida, acordando todos no castelo com a bofetada que dá em seu aprendiz, fazendo também acordar a verdade (ou pelo menos um vislumbre dela) há tanto tempo adormecida. Esses artistas, com seus objetos, com suas ações, às vezes com estardalhaço, às vezes com uma sutileza quase silenciosa, nos fazem ver o que de tão óbvio passa desapercebido. Que o espaço não é esse cubo mágico de proporções infinitas, constante e transparente. É cheio de fendas, de obstáculos, de tensões, de pregnâncias. Ele é inconstante, mutável, dobradiço, assim como o tempo, esse seu irmão. Tulio Pinto é um desses artistas.
No trabalho que agora apresenta aqui no Museu de Ribeirão Preto, um ballet hard core se configura entre a grande banda laranja quando ela atravessa a sala e abraça duas placas de concreto, que podem ser vistos como dois bailarinos no ponto máximo de seu equilíbrio. Já não se sabe mais quem sustenta quem, se é o pano laranja que é estirado pelas placas, ou se são elas que não pendem pelo tensionar do tecido e o apoio da parede dado a uma delas. Um fluxo parece atravessar os objetos e dragar a sala para esse campo de energia que se forma, sustentando, dinamicamente, o conjunto. Não importa quantificar os esforços, o que importa é a resultante, que rasga o espaço e instaura ali uma dimensão inusitada, a potência de um lugar que não havíamos percebido: suas dimensões, suas qualidades de altura, largura, profundidade, a densidade do ar, a intensidade da iluminação. Tudo vem à tona, torna-se mais intenso e real com a presença desses elementos tão simples e brutos, arranjados de forma tão delicada, precisa e sutil. Esse espaço já não pode mais ser percebido como algo abstrato e homogêneo, mas como algo que precisa, impele, à experiência a ser percorrido, desdobrado, investigado e percebido com todos os sentidos em seu máximo alerta, num tempo dilatado e cheio de possibilidades. E o fazemos com alegria, mesmo se existirem sobressaltos, com aquele bem estar dos recém-sarados, dos enfermos que acabaram de restituir a saúde e ver a vida com olhos novos, ávidos. Esse espaço múltiplo, aberto (seja a bofetadas, seja num suave sopro) mostra que estamos, por ora, ainda, prontos, porque, enfim, vivos.

(esse texto plagia descaradamente o prefácio de Walter Benjamin para o Drama Barroco Alemão, espero, em nome da boa causa que carrega, ser perdoada por ele, lá naquele tempo infinito, inimaginável e imensurável)

* para meus alunos da Escola da Cidade

fuckyeah-arthistory:

The Origin of the World - Gustave Courbet, 1866
From the Musée d’Orsay’s website:

Courbet regularly painted female nudes, sometimes in a frankly libertine vein. But in The Origin of the World he went to lengths of daring and frankness which gave his painting its peculiar fascination. The almost anatomical description of female sex organs is not attenuated by any historical or literary device. Yet thanks to Courbet’s great virtuosity and the refinement of his amber colour scheme, the painting escapes pornographic status. This audacious, forthright new language had nonetheless not severed all links with tradition: the ample, sensual brushstrokes and the use of colour recall Venetian painting and Courbet himself claimed descent from Titian and Veronese, Correggio and the tradition of carnal, lyrical painting.

fuckyeah-arthistory:

The Origin of the World - Gustave Courbet, 1866

From the Musée d’Orsay’s website:

Courbet regularly painted female nudes, sometimes in a frankly libertine vein. But in The Origin of the World he went to lengths of daring and frankness which gave his painting its peculiar fascination. The almost anatomical description of female sex organs is not attenuated by any historical or literary device. Yet thanks to Courbet’s great virtuosity and the refinement of his amber colour scheme, the painting escapes pornographic status. This audacious, forthright new language had nonetheless not severed all links with tradition: the ample, sensual brushstrokes and the use of colour recall Venetian painting and Courbet himself claimed descent from Titian and Veronese, Correggio and the tradition of carnal, lyrical painting.

(via cavetocanvas)

(Source: bookshelfporn)

Marcone Moreira, Banzeiro

O trabalho de Marcone Moreira em exibição apresenta uma série de elementos de um conjunto que está ausente. Forma um desenho invisível de algo que só se torna completo a partir da imaginação e da memória. Esse procedimento, comum a outros trabalhos seus, mescla duas vertentes centrais da tradição plástica brasileira: a atenção às relações formais, caras ao pensamento construtivo, e o saber artesanal, constatado no dia-a-dia da produção de objetos utilitários nos quatro cantos do país, que interessou artistas e críticos que interpretaram as especificidades da arte moderna no Brasil e exergaram confluências entre os dois caminhos. 

No Maria Antonia, o artista cria curvas ascendentes no espaço, que ganham corpo através do denso e rústico material em que são desenhadas, pelo corte da moto-serra e pelo adocicar do enxó, que lhe dá acabamento. Num processo de progressiva concretização, aquilo que era projeto, desenho mental, torna-se matéria, ganha um corpo específico. As linhas imaginárias, desenhadas na lembrança do artesão e arranjadas pelo artista, passam a ter textura, peso, cheiro, e a preencher um espaço real. Carregam, para além de seu aspecto de geometria ideal – uma curva no espaço – a memória de um fazer, um saber prático, o caráter daquilo de que são feitas. 

Seu material é a pequiá, madeira resistente à água por sua trama de fibras firmemente entrelaçadas. Sua forma é aquela conhecida pelo artesão de barcos: são cavernas, entalhadas do modo necessário a dar a curvatura correta da madeira para que as embarcações se estabilizem e deslizem na água. Agregadas e dispostas pelo artista no espaço de exposição, fazem agora o percurso inverso, que vai do material ao mental –evocação do movimento revolto das águas, o banzeiro, que agita o rio e pode até impedir a navegação. Mas nesse caminho, trazem consigo aquilo que não pode ser reduzido ao conceito, à ideia: a experiência compartilhada, síntese do Brasil. Banzeiro

theimpossiblecool:

Sinatra.
julienfoulatier:

Illustration by Richard Wilkinson.
O meu amor gosta da Frankenthaler.

Eu aprecio dizer: “da Frankenthaler”, parece quase chulo, mas para mim confere uma dignidade insondada. O amigo dele e eu temos essa mania de conferir às palavras e expressões significados diversos e por vezes invertidos, mas nunca exatamente elaborados. Pelo contrário, o caráter tosco nos diverte e nos assenhoreia de um mundo que só nós conhecemos. Não que se queira fazer o elogio da mediocridade ou da pequenez. Longe disso. Assim como num Murillo, o atraente não é a temática, abjeta por seu olhar superior na condescendência, mas as inflexões da forma, os contornos, o registro sutilmente ruidoso das cores que repõe o desequilíbrio expulso pela luminosidade difusa. A monstruosidade da situação de seus personagens é exposta nesses procedimentos, o que garante o conflito constante com o pietismo retrógrado que emana dos temas e do tratamento da luz. A potência implícita desses elementos é o que o salvaguarda do rebaixamento promovido pela sensibilidade de folhinha da sua recepção no século XX.

Mas Helen é quase o nome de minha mãe, como o amigo do meu amor é quase do meu ano, só que de 1974. Há uma pintura da Frankenthaler, “Types of Ambiguity”, que faz o que gostaríamos de poder realizar com esse jogo de significados. Frankenthaler subverte o branco tornando-o sujo, quando o vermelho – sempre associado à instabilidade da carne – ganha a força de algo limpo e reluzente. Aquilo que deveria ser fundo se projeta para frente. Costura uma argola entre todas as formas desconexas e instaura um desequilíbrio que parece ser resultado de tensões opostas: a mancha vermelha que quer deslocar-se mais à esquerda, o amarelo que deseja escapar para o alto, o branco ruidoso que se pronuncia perseguindo o vermelho e é laçado por um outro vermelho, de qualidade bastante diferente. O que ele promove no conjunto da tela esclarece algo dessas palavras de Longhi: “a linha, por mais débil que seja, distrai-nos da cor”. 

Judith Everdingen

O mendigo que vem e vai entre o seu ponto cardeal e o meu tem seios.
– Sim, seios e bochechas rosadas de mulher feliz escondem-se por detrás da barba cerrada, suja e emaranhada. A barba as cobre, não como se cobrisse vergonhas, mas camadas de cenas passadas, imagens entrecortadas, gestos para os quais hoje é difícil encontrar um enredo. As unhas compridas agora são pintadas da sujeira das ruas e dos restos que ele carinhosamente apanha e que compõem a casa que carrega consigo. Um leve inclinar de ancas evoca aquilo que hoje está submerso. Judith Everdingen
Alguma coisa da careca de meu pai.

É um começo vulgar para dizer de você. Dizer de você, também é uma expressão vulgar, é preciso reconhecer. A falta que faz o refinamento deixa as linhas tortas e as expressões batidas. Ontem eu falei da forja que faz o ferro endurecer. Com a forja, aumenta-se a superfície de impacto e pelas sucessivas agressões à matéria consegue-se que ela endureça, fique tesa e bela e certeira. Não há como escapar às metáforas. Elas que não dizem nada e tornam tudo uma corrida atrás do próprio rabo. Você vê, não consigo evitá-las. A linguagem me irrita.

Há noites sonho com você, com ladrõezinhos bizarros que me perseguem. Você e os seus me recebem e protegem. O menino quer olhar à janela, faço que deixo mas não. Espio e vejo o homem com o fuzil atirando para todos os lados. Mas não saem balas, só o medo me faz acordar. Judith Everdingen

Tulio Pinto - Diagonal

Era uma vez um espaço infinito, constante e homogêneo. Inventado pelos homens do Renascimento, tornado visível pela perspectiva geométrica, ele podia ser percorrido em todos os sentidos, em quatro coordenadas ortogonais, expandir-se para todos os lados, sem barreiras, medido, representado. Abstrato, neutro, igual em todo lugar, assim como o tempo, parecia ser perene, estar lá para sempre, à nossa disposição, aos nossos pés. Mas eis que, ao invés dos belos príncipes dos contos de fadas, surgem aqui e ali, em momentos de perigo da história da arte, artistas que fazem o papel do cozinheiro da verdadeira história da Bela Adormecida, acordando todos no castelo com a bofetada que dá em seu aprendiz, fazendo também acordar a verdade (ou pelo menos um vislumbre dela) há tanto tempo adormecida. Esses artistas, com seus objetos, com suas ações, às vezes com estardalhaço, às vezes com uma sutileza quase silenciosa, nos fazem ver o que de tão óbvio passa desapercebido. Que o espaço não é esse cubo mágico de proporções infinitas, constante e transparente. É cheio de fendas, de obstáculos, de tensões, de pregnâncias. Ele é inconstante, mutável, dobradiço, assim como o tempo, esse seu irmão. Tulio Pinto é um desses artistas.
No trabalho que agora apresenta aqui no Museu de Ribeirão Preto, um ballet hard core se configura entre a grande banda laranja quando ela atravessa a sala e abraça duas placas de concreto, que podem ser vistos como dois bailarinos no ponto máximo de seu equilíbrio. Já não se sabe mais quem sustenta quem, se é o pano laranja que é estirado pelas placas, ou se são elas que não pendem pelo tensionar do tecido e o apoio da parede dado a uma delas. Um fluxo parece atravessar os objetos e dragar a sala para esse campo de energia que se forma, sustentando, dinamicamente, o conjunto. Não importa quantificar os esforços, o que importa é a resultante, que rasga o espaço e instaura ali uma dimensão inusitada, a potência de um lugar que não havíamos percebido: suas dimensões, suas qualidades de altura, largura, profundidade, a densidade do ar, a intensidade da iluminação. Tudo vem à tona, torna-se mais intenso e real com a presença desses elementos tão simples e brutos, arranjados de forma tão delicada, precisa e sutil. Esse espaço já não pode mais ser percebido como algo abstrato e homogêneo, mas como algo que precisa, impele, à experiência a ser percorrido, desdobrado, investigado e percebido com todos os sentidos em seu máximo alerta, num tempo dilatado e cheio de possibilidades. E o fazemos com alegria, mesmo se existirem sobressaltos, com aquele bem estar dos recém-sarados, dos enfermos que acabaram de restituir a saúde e ver a vida com olhos novos, ávidos. Esse espaço múltiplo, aberto (seja a bofetadas, seja num suave sopro) mostra que estamos, por ora, ainda, prontos, porque, enfim, vivos.

(esse texto plagia descaradamente o prefácio de Walter Benjamin para o Drama Barroco Alemão, espero, em nome da boa causa que carrega, ser perdoada por ele, lá naquele tempo infinito, inimaginável e imensurável)

* para meus alunos da Escola da Cidade

fuckyeah-arthistory:

The Origin of the World - Gustave Courbet, 1866
From the Musée d’Orsay’s website:

Courbet regularly painted female nudes, sometimes in a frankly libertine vein. But in The Origin of the World he went to lengths of daring and frankness which gave his painting its peculiar fascination. The almost anatomical description of female sex organs is not attenuated by any historical or literary device. Yet thanks to Courbet’s great virtuosity and the refinement of his amber colour scheme, the painting escapes pornographic status. This audacious, forthright new language had nonetheless not severed all links with tradition: the ample, sensual brushstrokes and the use of colour recall Venetian painting and Courbet himself claimed descent from Titian and Veronese, Correggio and the tradition of carnal, lyrical painting.

fuckyeah-arthistory:

The Origin of the World - Gustave Courbet, 1866

From the Musée d’Orsay’s website:

Courbet regularly painted female nudes, sometimes in a frankly libertine vein. But in The Origin of the World he went to lengths of daring and frankness which gave his painting its peculiar fascination. The almost anatomical description of female sex organs is not attenuated by any historical or literary device. Yet thanks to Courbet’s great virtuosity and the refinement of his amber colour scheme, the painting escapes pornographic status. This audacious, forthright new language had nonetheless not severed all links with tradition: the ample, sensual brushstrokes and the use of colour recall Venetian painting and Courbet himself claimed descent from Titian and Veronese, Correggio and the tradition of carnal, lyrical painting.

(via cavetocanvas)

Marcone Moreira, Banzeiro
"O meu amor gosta da Frankenthaler."
"O mendigo que vem e vai entre o seu ponto cardeal e o meu tem seios."
"Alguma coisa da careca de meu pai."
Tulio Pinto - Diagonal

About:

blog de crítica de arte. textos escritos e publicados por aí (créditos vão junto de cada um).

o nome vem desse poema aqui.

#Le long du vieux faubourg, où pendent aux masures
Les persiennes, abri des sécrètes luxures,
Quand le soleil cruel frappe à traits redoublés
Sur la ville et les champs, sur les toits et les blés,

# Je vais m'exercer seul à ma fantasque escrime,
Flairant dans tous les coins les hasards de la rime,
Trébuchant sur les mots comme sur les pavés
Heurtant parfois des vers depuis longtemps rêvés.

# Ce père nourricier, ennemi des chloroses,
Eveille dans les champs les vers comme les roses;
Il fait s'évaporer les soucis vers le ciel,
Et remplit les cerveaux et les ruches le miel.

C'est lui qui rajeunit les porteurs de béquilles
Et les rend gais et doux comme des jeunes filles,
Et commande aux moissons de croître et de mûrir
Dans le coeur immortel qui toujours veut fleurir!

# Quand, ainsi qu'un poète, il descend dans les villes,
Il ennoblit le sort des choses les plus viles,
Et s'introduit en roi, sans bruit et sans valets,
Dans tous les hôpitaux et dans tous les palais.

# (Le Soleil, Charles Baudelaire)

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