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Marcia Pastore, Impressores. Modelo, molde, rastro, resto.

Impressores, 2012. roldanas, cabo de aço, presilhas, guinchos, gesso, ferro, grampos. Caixa Cultural de Fortaleza

Marcone Moreira, Banzeiro

O trabalho de Marcone Moreira em exibição apresenta uma série de elementos de um conjunto que está ausente. Forma um desenho invisível de algo que só se torna completo a partir da imaginação e da memória. Esse procedimento, comum a outros trabalhos seus, mescla duas vertentes centrais da tradição plástica brasileira: a atenção às relações formais, caras ao pensamento construtivo, e o saber artesanal, constatado no dia-a-dia da produção de objetos utilitários nos quatro cantos do país, que interessou artistas e críticos que interpretaram as especificidades da arte moderna no Brasil e exergaram confluências entre os dois caminhos. 

No Maria Antonia, o artista cria curvas ascendentes no espaço, que ganham corpo através do denso e rústico material em que são desenhadas, pelo corte da moto-serra e pelo adocicar do enxó, que lhe dá acabamento. Num processo de progressiva concretização, aquilo que era projeto, desenho mental, torna-se matéria, ganha um corpo específico. As linhas imaginárias, desenhadas na lembrança do artesão e arranjadas pelo artista, passam a ter textura, peso, cheiro, e a preencher um espaço real. Carregam, para além de seu aspecto de geometria ideal – uma curva no espaço – a memória de um fazer, um saber prático, o caráter daquilo de que são feitas. 

Seu material é a pequiá, madeira resistente à água por sua trama de fibras firmemente entrelaçadas. Sua forma é aquela conhecida pelo artesão de barcos: são cavernas, entalhadas do modo necessário a dar a curvatura correta da madeira para que as embarcações se estabilizem e deslizem na água. Agregadas e dispostas pelo artista no espaço de exposição, fazem agora o percurso inverso, que vai do material ao mental –evocação do movimento revolto das águas, o banzeiro, que agita o rio e pode até impedir a navegação. Mas nesse caminho, trazem consigo aquilo que não pode ser reduzido ao conceito, à ideia: a experiência compartilhada, síntese do Brasil. Banzeiro

cavetocanvas:

Léon Bonnat, The Broken Jug, n.d.

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Léon Bonnat, The Broken Jug, n.d.

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Léon Bonnat, Young Italian Girl, n.d.

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Léon Bonnat, Young Italian Girl, n.d.

Marcia Pastore, Impressores. Modelo, molde, rastro, resto.

Impressores, 2012. roldanas, cabo de aço, presilhas, guinchos, gesso, ferro, grampos. Caixa Cultural de Fortaleza

theimpossiblecool:

Antonioni.

theimpossiblecool:

Antonioni.

(Source: bookshelfporn)

Marcone Moreira, Banzeiro

O trabalho de Marcone Moreira em exibição apresenta uma série de elementos de um conjunto que está ausente. Forma um desenho invisível de algo que só se torna completo a partir da imaginação e da memória. Esse procedimento, comum a outros trabalhos seus, mescla duas vertentes centrais da tradição plástica brasileira: a atenção às relações formais, caras ao pensamento construtivo, e o saber artesanal, constatado no dia-a-dia da produção de objetos utilitários nos quatro cantos do país, que interessou artistas e críticos que interpretaram as especificidades da arte moderna no Brasil e exergaram confluências entre os dois caminhos. 

No Maria Antonia, o artista cria curvas ascendentes no espaço, que ganham corpo através do denso e rústico material em que são desenhadas, pelo corte da moto-serra e pelo adocicar do enxó, que lhe dá acabamento. Num processo de progressiva concretização, aquilo que era projeto, desenho mental, torna-se matéria, ganha um corpo específico. As linhas imaginárias, desenhadas na lembrança do artesão e arranjadas pelo artista, passam a ter textura, peso, cheiro, e a preencher um espaço real. Carregam, para além de seu aspecto de geometria ideal – uma curva no espaço – a memória de um fazer, um saber prático, o caráter daquilo de que são feitas. 

Seu material é a pequiá, madeira resistente à água por sua trama de fibras firmemente entrelaçadas. Sua forma é aquela conhecida pelo artesão de barcos: são cavernas, entalhadas do modo necessário a dar a curvatura correta da madeira para que as embarcações se estabilizem e deslizem na água. Agregadas e dispostas pelo artista no espaço de exposição, fazem agora o percurso inverso, que vai do material ao mental –evocação do movimento revolto das águas, o banzeiro, que agita o rio e pode até impedir a navegação. Mas nesse caminho, trazem consigo aquilo que não pode ser reduzido ao conceito, à ideia: a experiência compartilhada, síntese do Brasil. Banzeiro

theimpossiblecool:

Sinatra.
Marcone Moreira, Banzeiro

About:

blog de crítica de arte. textos escritos e publicados por aí (créditos vão junto de cada um).

o nome vem desse poema aqui.

#Le long du vieux faubourg, où pendent aux masures
Les persiennes, abri des sécrètes luxures,
Quand le soleil cruel frappe à traits redoublés
Sur la ville et les champs, sur les toits et les blés,

# Je vais m'exercer seul à ma fantasque escrime,
Flairant dans tous les coins les hasards de la rime,
Trébuchant sur les mots comme sur les pavés
Heurtant parfois des vers depuis longtemps rêvés.

# Ce père nourricier, ennemi des chloroses,
Eveille dans les champs les vers comme les roses;
Il fait s'évaporer les soucis vers le ciel,
Et remplit les cerveaux et les ruches le miel.

C'est lui qui rajeunit les porteurs de béquilles
Et les rend gais et doux comme des jeunes filles,
Et commande aux moissons de croître et de mûrir
Dans le coeur immortel qui toujours veut fleurir!

# Quand, ainsi qu'un poète, il descend dans les villes,
Il ennoblit le sort des choses les plus viles,
Et s'introduit en roi, sans bruit et sans valets,
Dans tous les hôpitaux et dans tous les palais.

# (Le Soleil, Charles Baudelaire)

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